Todos os dias em vários momentos, olho bem nos olhos da Nicolle e digo: "Eu te amo, tá?" e pela primeira vez ela repetiu a minha frase. O que para muitos profissionais seria chamado de ecolalia, para mim foi uma demonstração de amor. Tenho certeza que quando digo isso a ela, imediatamente ela sente e sabe que é algo bom, que é carinho, que é amor...
Esperei tanto para ouvir isso da minha filha, foi fantástico...
Segunda-feira percebemos umas bolinhas no corpo da Nicolle. Logo vimos que era catapora.
É muito complicado para ela entender que não deve coçar e a todo momento temos que chamar a atenção para que ela não faça isso.
Não sei se vantagem é a palavra mais adequada, mas acredito que aconteceu no momento certo, pois ela ainda é pequena e vejo como ela é forte e não se abate quando está doente.
Por enquanto a Nick só ficará em casa se recuperando...nada de escola, fono, fisioterapia e passeios...
Há mais ou menos três semanas, apareceu no rosto na Nicolle uma manchinha. Fomos ao dermatologista que diagnosticou como dermatite de contato.
Fica até difícil saber o que realmente causou isso nela, pois se um hidratante, perfume ou óleo corporal dá sopa, ela pega, abre e passa no rosto. Todo cuidado é pouco com a princesinha!
Quando saimos da consulta, fomos a sorveteria e foi muito bom ver como a cada dia a Nicolle está mais independente...
Aproveitando o feriado, levamos a Nicolle ao Parque Mirage.
Nos binquedos que não era possível acompanhar ficava com o coração apertado e todo tempo falando para ela não soltar as mãos. Na maioria dos brinquedos pude ir junto...brincamos bastante...Mãe é obrigada a pagar mico mesmo...
Vejo o quanto são importantes esses passeios, são momentos que ela tem contato com outras pessoas, conhece novos lugares, aprende a esperar a sua vez de brincar e observa como as outras crianças se comportam.
Já faz um certo tempo que não atualizo o blog, não por falta de novidades, falta de tempo mesmo. Então, aproveito esse momento para postar algumas das muitas novidades...
No dia 04 deste mês, aproveitamos o domingo e fomos a Praia da Lua. Foi um passeio maravilhoso...
O que mais a Nicolle gostou foi da areia da praia, passou um bom tempo experimentando a sensação de ter a areia nas mãos quando fechadas e deslizando ao abrí-las.
A história do músico que tinha dificuldade para se comunicar e hoje faz cover de Roberto Carlos
“Quando fiz o primeiro filme para o Criança Esperança, senti que algo mudou em minha vida. Senti que alguém tentava me dizer algo, mas não com palavras, com gestos ou coisas de televisão. Demorou um tempo para eu entender. Eu, que trabalho em um veículo de comunicação que fala para o mundo inteiro, perguntei a mim mesmo: por que eu? E, nesse momento, a gente sempre faz a mesma pergunta. Por que nós? Por que aqui em Natal? Por que aqui com vocês? Talvez a gente nunca saiba responder. Mas sabe que é porque vocês são pessoas especiais. O importante é que estamos aqui para ouvir o que vocês têm a dizer de mais íntimo. Vamos entender a história do Jobson, sabendo que essas palavras vão para o ouvido de outros pais. Respeitamos muito vocês e estamos muito agradecidos.”
Foi com essas palavras de carinho e conforto que o diretor Emerson Muzeli deu início à entrevista com os pais de Jobson Maia, um autista que foi salvo pelo amor e pela música de Roberto Carlos.
Emerson Muzeli conversa com Ademilson e
Lourdes (Foto: Christina Fuscaldo)
Ademilson e Lourdes receberam em sua casa, em Natal, a equipe do Criança Esperança que viajou por todas as regiões do Brasil, para contar e reconstruir a história de superação da família Maia. Além das conversas com o casal, foram registradas na capital do Rio Grande do Norte cenas que retratam diversas fases da vida do personagem principal, com direito a atores locais e um show no Teatro Alberto Maranhão para fechar o filme com chave de ouro.
“Participar do Criança Esperança era um sonho que eu tinha. Gravei muitas cenas que representam a história da minha vida atual e também de antigamente. O ator mirim representou minha infância. Me deixou um pouco emocionado. No show, canto muitas músicas bonitas de Roberto Carlos. Minha paixão por ele começou aos três anos de idade, quando ouvi pela primeira vez e fui aumentar o volume para ouvir melhor. Fiz pesquisas por discos, revistas, livros, tudo. A música me ajudou a superar as barreiras”, disse Jobson entre uma cena e outra.
Atores que representaram Jobson na infância e
na adolescência (Foto: Christina Fuscaldo)
O momento em que o menino gira o botão do rádio do carro do pai para ouvir Roberto Carlos é um dos pontos altos da vida da família Maia e do vídeo dirigido por Muzeli. Jobson nasceu em 1978, mas ele, o pai e a mãe levaram três anos numa peregrinação de médico em médico para descobrir porque o filho não falava, andava ou respondia a estímulos. Pouca gente sabia o que era autismo.
“Muita gente dizia que estávamos gastando dinheiro e que aquilo não tinha cura. Mas a fé da gente era maior do que o que o povo estava falando”, contou dona Lourdes.
Companheira no dia a dia de Jobson, a mãe passou por muito constrangimento e humilhação nas ruas de Natal. Lourdes se emocionou ao lembrar do momento em que um senhor, dentro de um ônibus no qual o menino não queria entrar nem sair, colocou a mão em Jobson e disse: “Seu filho vai ser curado.”
Cena em que Jobson Maia criança aumenta o
som do carro (Foto: Christina Fuscaldo)
“Aquele momento foi muito forte. Normalmente as pessoas ignoravam, porque não entendiam. Quem conviveu mais com as pessoas xingando fui eu”, desabafou.
Ademilson lembrou da dificuldade que era para encontrar escola que aceitasse Jobson como aluno. O pai chegou a entrar em sala para pedir compreensão e solidariedade aos coleguinhas do seu filho e precisou falar o que muitas diretoras preferem não ouvir. Certa vez, ao receber uma negativa dentro de uma instituição de ensino católica, questionou se a diretora era mesmo uma representante de Deus. E olha que fé é a palavra de ordem dos religiosos Maia.
“Vontade de bater nos outros, eu não tinha porque minha dimensão de amor é muito grande. Gritei muitas vezes (para desabafar). Chamavam Jobson de louco, mas isso jamais nos impediu de levá-lo a todos os lugares”, disse Ademilson. “Nos colégios era assim, como também nos restaurantes e nas praças. A gente começou a ter medo de tudo. Aí é que veio a reação de querermos transformar isso.”
Jobson Maia é filmado entrando em um dos
sebos que frequenta (Foto: Christina Fuscaldo)
Ademilson e Loudes investiram no tratamento de Jobson e estimularam sua paixão pela música. O menino ganhou um violão e, mais velho um pouco, conquistou o teclado, equipamento necessário para seus shows. Jobson estudou música, passou a sair sozinho para fazer pesquisas em sebos e, hoje, não está mais “em outro mundo”, como costumam dizer que vivem os autistas. Jobson conversa, conta casos, lembra de detalhes de diversos discos e faz shows de uma hora só com sucessos de Roberto Carlos. A música que conduz toda essa história, e mais detalhes sobre ela, você vê no vídeo de Emerson Muzeli, junto com a íntegra do show, disponível no site do Criança Esperança.